segunda-feira, 7 de agosto de 2017

NO PONTO


A espera do ônibus é aquele momento de reparar silêncios;
Calcular as dívidas que a saudade jogou no peito descampado.
Ficamos a observar o sol que atravessa a rua sem olhar para os dois lados da situação.
Uma senhora passa com seu cachorro desfocado
E imaginamos que alguma dor dorme no fundo da sua bolsa
E que ela se deixa levar pela dor que o pobre animal carrega.
Na espera do ônibus os olhos buscam uma palavra infinita pelas intermináveis propagandas.
Correm os olhares diante das vitrines entediadas.
Queremos ir para algum lugar ou voltar para a paisagem segura da casa
Que desde a sirene do despertador nos aguarda.
A multidão que corre nas calçadas deixam rastros,
Confundindo nos com as casas construídas em nosso tempo improvável.
A espera do ônibus é aquele momento no qual descobrimos que nos dobramos de segredos
E que embarcamos com tanto para dizer,
Mas que esquecemos de dizer.
Chegamos ao ponto preocupados porque os vizinhos hão de falar na intimidade das janelas:
"Este aí está a amar".
(VFM)

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